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UM POUCO DA HISTÓRIA
Os palhaços são conhecidos a aproximadamente quatro mil anos mas, a
verdade, é que desde sempre, e através dos tempos, inúmeras pessoas
dedicaram-se à arte de fazer rir.
Oriente.
Nas cortes dos imperadores chineses os palhaços adquiriram
importante papel, podendo inclusive fazer com que o imperador muda-se
de idéia em suas decisões. Por mais de mil anos, em várias partes do
Oriente (como Malásia, Burma e o Sudeste da Ásia) os palhaços
apareciam em teatros, mesmo em representações religiosas; eram
conhecidos como “Lubyet” (homens frívolos), e atuavam
como desastrosos assistentes dos personagens príncipes e princesas.
Na Malásia se chamavam “P'rang” e usavam horrendas
máscaras de bochechas e sobrancelhas enormes, cores carregadas e um
grande turbante, criando uma figura pavorosa.
Alguns dos melhores palhaços asiáticos vêm de Bali; os personagens
mais populares e que ainda se pode ver são os irmãos Penasar
e Kartala. O primeiro aparece sempre preocupado e
angustiado, e nunca deixa de comportar-se bem; o segundo não faz nada
do jeito certo, senão tudo ao contrário.
Grécia e Roma.
Na antiga Grécia, há mais de 2.000 anos, os palhaços faziam parte
das comédias teatrais. Após a apresentação de tragédias sérias, eles
davam sua própria versão do fato, onde os heróis apareciam como
idiotas. Seu alvo preferido era Hércules, mostrando que suas façanhas
aconteciam mais pelo acaso do que intencionalmente.
Também na antiga Roma existiam diversas classes de palhaços; dois
deles eram Cicirro, que se caracterizava com uma
máscara de cabeça de galo e cacarejava movendo os braços como asas, e
Estúpido, com gorro pontiagudo e roupa de retalhos.
Os outros atores aparentavam estar enojados e batiam nos dois palhaços
causando ainda mais riso entre o público.
Idade Média.
Já no início da Idade Média, com os teatros fechados, artistas
perambulavam por toda parte para atuar onde pudessem, para sobreviver,
participando de feiras em várias regiões. Na Alemanha e na
Escandinávia eram conhecidos como “gleemen”, e na
França, “jongleurs”. Contavam contos, cantavam
baladas, eram músicos, malabaristas, acrobatas e toda sorte de
artistas. Em épocas mais festivas, grupos de mímicos apresentavam
danças e comédias nessas feiras. Nesses grupos , depois dos
bailarinos, os personagens mais importantes eram os palhaços, que
levavam uma bola atada por um barbante, com o qual iam batendo nos
espectadores, a fim de abrir espaço para a atuação dos mímicos. Com
frequência levava uma vassoura para varrer as pessoas do local
gritando: "Espaço! Espaço! Preciso de espaço para recitar minhas
trovas!". As palhaçadas eram, nessa época, mais importantes do que a
própria
história que se apresentava.
Foi também na Idade Média que surgiu a figura do bufão,
ou “bobo da corte”; alguns eram realmente “bobos”,
mas a maior parte era formada por palhaços inteligentes que se faziam
de estúpidos para alegrar às pessoas.
Na Alemanha, eram chamados de “alegres conselheiros”
pois, em suas agudas observações, incluíam bons conselhos.

Ainda durante a Idade Média os palhaços atuaram nos teatros pouco a
pouco “re-abertos”, principalmente em comédias religiosas,
representando o “diabo”, os “vícios”, a estupidez e o mal. Muitas
vezes o narrador era um palhaço que
mantinha
a platéia entretida, atenta, e explicava melhor a história. Cada vez
mais o papel do palhaço foi se tornando mais importante, ressaltando
os contrastes, até que William Shakespeare mostrou que o palhaço podia
não só fazer rir, como fazer chorar, e tornar ainda mais dramáticas as
cenas trágicas de uma obra, os palhaços passaram a ser tão
importantes, nessas representações, quanto os atores sérios de grandes
clássicos do teatro.
Commedia dell'Arte.
No século XVI, na Itália, surge a “Comédia de Arte”, com companhias
e personagens que se tornaram muito populares.
Cada um vinha de uma região diferente da Itália e tinham
características marcantes que os tornavam facilmente reconhecíveis. É
o caso do Arlequim, com sua roupa de retalhos; o
Pantaleão, veneziano, e de vermelho; Briguela,
de branco e verde; Polichinelo, de branco e gorro
pontiagudo; o Doutor, de negro e o Capitão,
com sotaque espanhol e roupas militares. Esses personagens tinham
características muito definidas e seus papéis eram quase sempre os
mesmos e se tornaram tão famosos que os atores eram mais
conhecidos pelos personagens que interpretavam do que por seus
próprios nomes.
Da Itália, a Commedia del'Arte se estendeu por
toda a Europa, adaptando-se a cada país, como na Inglaterra, onde, por
exemplo, Pulcinella se tornou Mister Punch,
personagem conhecido até os dias atuais, ou o Pierrot,
transformado em “clown”, sendo que o mais famoso foi
Grimaldi, nascido em 1778.
Os primeiros circos.
O circo moderno parece ter surgido a partir de 1766, criado por um
jovem sargento, chamado Philip Astley. Primeiro, com
atrações equestres e, logo, enriquecendo as performances com artistas
mambembes e atrações mais divertidas para mesclar com as exibições de
equitação. O palhaço mais importante foi “Mr. Merryman”,
que atuava a cavalo.
Com o tempo mais atrações foram sendo incluídas, surge o palhaço
“branco”, ou “clown”, vestido ricamente com lantejoulas e gorro
pontiagudo, cara branca e pouca maquiagem; o “augusto”, tonto,
desajeitado e extravagante; o “toni” e o “excêntrico”, colaborando
para que a gargalhada corresse solta.
Vários números de palhaços, conhecidos como “entradas”,
se tornaram clássicos, como “O Espelho Quebrado”, “Hamlet”, “A Água”,
“A Estátua”, “O Barbeiro de Sevilha”, etc, e podem ser vistos ainda
hoje em grandes circos. Outa maneira do palhaço participar dos
espetáculos circenses é através das “reprises”,
pequenas cenas de palhaços que acontecem enquanto se prepara a
parafernália de um novo número (como preparar as jaulas, o trapézio,
etc.). No início do século XIX outra participação importante dos
palhaços se dava na segunda metade do espetáculo, quando estes
apresentavam uma “pantomima” cômica, um pequeno
espetáculo de cunho teatral, dentro do espetáculo circense, muitas
vezes baseado em clássicos da dramaturgia e da literatura mundial.
O palhaço era, até pouco tempo, o principal personagem de um circo,
sendo uma honra ocupar esse papel. Geralmente, os palhaços são
habilidosos em alguma arte, muitos são grandes acrobatas, músicos,
malabaristas, domadores, bailarinos, piadistas, cantores, etc.
Hoje em dia os palhaços ocupam espaço não só nos circos, estão
presentes nas ruas, nos teatros, na televisão, no cinema, em vários e
infinitos espaços e, se um dia, descobrirmos vida em outros planetas,
descobriremos, também, novas formas de fazer rir, pois, dentro do mais
íntimo de todos os mundos, existe, reluzindo o riso, o Mundo
do Nariz Vermelho.
FONTE: WWW.MUNDOCLOWN.COM
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